Uso de contraceptivos orais contendo drospirenona

13/AGO

A repetição incessante das menstruações, uma das características da mulher moderna ocidental, é um fator de risco para o desenvolvimento de várias patologias como a endometriose, miomas, adenomiose, anemia e a TPM (1). A razão pela qual as menstruações seriam responsáveis pelo desenvolvimento de tão grande número de patologias está no fato deste processo envolver a ativação de vários fatores inflamatórios como as prostaglandinas no endométrio.  Estas são produzidas no tecido endometrial pela ação da Cox-2 cuja atividade é estimulada pelos estrogênios e inibida pela progesterona (2). A queda na produção da progesterona no final do ciclo menstrual é o fator que deflagra o aumento da inflamação e da produção de prostaglandinas no endométrio e isto se dá através da ativação da Cox-2 e o do fator inflamatório NF-Kappa.b (3,4,5).  Todo este processo inflamatório é inibido pela presença contínua da progesterona, o que explica o efeito benéfico que a gestação tem na incidência das diversas patologias estrogênio-dependentes, como por exemplo, a endometriose.


A atividade da Cox-2 no endométrio está relacionada diretamente com a quantidade do fluxo menstrual e a gravidade da dismenorréia, e isto sugere que a intensidade dos sintomas menstruais é proporcional ao grau de inflamação endometrial (1,6).  Pacientes sintomáticas, principalmente as adolescentes, podem já apresentar estas alterações inflamatórias funcionais no endométrio, que se não corrigidas, podem levar à ativação da enzima aromatase neste tecido com o conseqüente risco de desenvolver endometriose (2).  O uso contínuo de contraceptivos orais combinados com a finalidade de imitar uma gravidez do ponto de vista endócrino seria uma solução lógica para estas mulheres jovens com sintomas menstruais importantes e que não desejem gestar no momento (7).  


Recentemente, inúmeros estudos têm mostrado que o uso de contraceptivos orais em regime estendido é mais eficaz para o controle dos sintomas menstruais que os regimes clássicos de 21/7 dias. Entre estes sintomas podemos mencionar a dismenorréia, menorragia, cefaléia e as alterações de humor que fazem parte da tensão pré-menstrual.  Neste grupo de pacientes, o uso contínuo de contraceptivos orais traz também a vantagem de reduzir o número de dias de sangramento embora a ocorrência de spotting e sangramento irregular seja ainda um dos efeitos adversos observados durante o uso de contraceptivos orais sem a pausa. Em pacientes utilizando contraceptivos orais contendo 3 mg de drospirenona e 30 mcg de etinilestradiol, 56% das pacientes estavam em amenorréia no sexto mês de tratamento (8). No restante dos casos ocorreram episódios de sangramento uterino irregular que foram controlados recomendando às pacientes que parassem o uso do contraceptivo por três dias. Isto permite instituir um regime flexível no qual a paciente usa o contraceptivo de maneira continua, parando sempre que surgir um sangramento irregular que seja significativo para a usuária. Este regime flexível não anula as vantagens obtidas com o uso estendido da drospirenona para o tratamento da dor pélvica, da cefaléia e da tensão pré-menstrual (8). 


Recentemente, a ANVISA aprovou o uso da formulação contendo 3 mg de drospirenona e 30 mcg de etinilestradiol (Elani 28) para ser usada de maneira contínua com a finalidade de suprimir a menstruação. Um estudo clínico feito recentemente no Brasil em três centros (Salvador, Jundiaí e São Paulo) utilizando a drospirenona 3 mg/ etinilestradiol 30 mcg em regime estendido encontrou um taxa de amenorréia de 62% no sexto mês de tratamento. Na população brasileira o uso contínuo da drospirenona foi também mais eficaz que o regimento com pausa para o tratamento da dismenorréia, cefaléia e acne. Sintomas adversos como náusea e aumento do apetite também ocorreram em menor freqüência no grupo das pacientes que utilizaram a drospirenona em regime contínuo. Estes resultados são semelhantes aos observados em estudos feitos na Europa e nos Estados Unidos utilizando a  mesma formulação e sugerem que estes regimes contínuos com drospirenona e etinilestradiol são mais eficazes que os com pausa para o tratamento dos sintomas ligados à menstruação, inclusive os sintomas físicos da tensão pré-menstrual (9, 10).   


A supressão da menstruação foi uma das grandes conquistas médicas dos últimos anos segundo a revista norte-americana TIME. O controle deste processo permitiu a mulher moderna ter uma melhora da sua qualidade de vida, já que os sintomas menstruais podem ter um impacto negativo sobre esta (1).  O uso de contraceptivos orais de maneira contínua suprime a Cox-2 e outros mediadores inflamatórios, diminuindo assim tanto a inflamação como a produção de prostaglandinas no endométrio, o que leva a uma redução não só dos sintomas menstruais, mas também do risco de desenvolver patologias estrogênio-dependentes como a endometriose  (1,7).

Fonte: Sobrage

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