Reposição hormonal alivia incômodos do climatério

01/AGO

Quando a mulher entra no climatério, período que marca a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva, seu corpo passa por transformações incômodas. A queda nos níveis de estrogênio, hormônio responsável pelo controle da ovulação, provoca sintomas como ondas de calor pelo corpo e ressecamento vaginal, que comprometem a qualidade de vida da mulher.


Em alguns casos essas manifestações são tão fortes que comprometem os hábitos sociais da mulher. “Ela não pode ir a uma festa ou encontrar a família porque está o tempo todo suada e incomodada”, explica o professor Dr. Fernando Reis, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 


Para combater essas  sensações desagradáveis a melhor opção é recorrer à terapia hormonal. Segundo Reis, na maioria dos casos essa terapia alivia por completo os sintomas do climatério. O tratamento hormonal é feito por meio de comprimidos, adesivos ou géis que repõem o estrogênio. Os medicamentos mais comuns são pílulas de consumo diário, que também contêm progesterona, hormônio esteróide feminino cuja função é proteger o útero e garantir um fluxo menstrual regular.


Existem, no entanto, outras opções, “que funcionam como a pílula anticoncepcional, que a mulher toma por três semanas e faz uma pausa de uma semana, mas são mais raras. O ideal é o uso diário”, afirma Reis. 


A diferença entre o anticoncepcional e o comprimido da terapia hormonal é a concentração dos hormônios. Na pílula, essa taxa é maior para evitar a gravidez, e maioria das formulações contém o estrogênio sintético. No tratamento hormonal da menopausa, é usado o estrogênio natura em dose é usada a dose mínimas, apenas o suficiente para que a mulher se sinta bem. Os níveis mais baixos de hormônio são semelhantes aos do início do ciclo menstrual. É com essa dose que a paciente fica até parar o tratamento. 


Escolha da medicação


Segundo Dr. Fernando Reis, todos os medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são seguros e funcionam bem para a reposição hormonal, mas a escolha do produto a ser utilizado depende do perfil de cada paciente. Para mulheres hipertensas, por exemplo, a melhor opção são medicamentos não orais. Para pacientes que removeram o útero devem escolher produtos que contenham apenas estrogênio, sem progesterona. A vantagem é que esse tipo de fórmula não produz menos efeitos colaterais. 


Em alguns casos a reposição também é feita com hormônio masculino, a testosterona, mas isso só acontece em situações excepcionais., como quando há insuficiência do ovário ou da glândula suprarrenal. Ou, ainda, quando a mulher tem a vida sexual muito prejudicada, mesmo em uso da terapia hormonal.  Além disso, no Brasil, esse tipo de tratamento não está aprovado para uso geral e só pode ser feito com prescrição médica. 


Duração do tratamento


Os primeiros resultados da reposição hormonal costumam aparecer um mês após o início do tratamento – em alguns casos a melhora vem até antes, com uma semana ou 15 dias de uso da medicação –, mas a duração do tratamento não pode ser definida a priori.  “Como o climatério é uma fase de transição, é difícil dizer quando acaba, não dá para colocar uma data, encaixar em uma faixa etária. Ninguém sabe dizer qual é o limite de idade para usar estrogênio. O tempo de tratamento é individualizado, caso a caso e até o momento, pelas evidências ciêntificas pode ser mantido se até quando a paciente quiser, se não houver contraindicações, como câncer de mama, doença cardíaca grave, ou outros fatores de risco cardiovascular ou doença grave do fígado”, afirma Dr. Fernando Reis. Se houver contraindicação, é preciso reavaliar o tratamento e suspender a medicação.


Segundo o ginecologista, algumas pacientes param depois de três anos e se sentem bem, porque já passaram da fase inicial dos sintomas, mas não há como estabelecer um prazo exato. Geralmente ficar dois ou três meses sem tomar o remédio é suficiente para avaliar se a situação melhorou. 


Caso a reposição hormonal não produza os efeitos esperados ao fim de um mês é preciso reavaliar o tratamento. “Se a paciente está tomando o remédio há um mês e não melhora, a gente considera que tem que aumentar a dosenão se aconselha o aumento da dose, visto que aumentaria os riscos em relação a câncer de mama e trombose”, explica Reis. Pode ser necessário a troca da formulação. O medicamentoremédio deve pode vir a ser trocadoser trocado caso se manifestem os seguintes efeitos colaterais não toleráveis para a usuária: exemplos são inchaço e dor nos seios; alterações do humor, como irritação e tristeza; menstruação sangramentos irregulares e frequentes que não melhoram com o tempo ou sangramento. Esse distúrbios são produzidos na maioria dos casos pela progesterona, substância presente na maioria das medicações, e o sangramento é a maior causa do abandono do tratamento, já que é imprevisível. Deve-se lembrar a usuária que este melhora com o tempo de uso da terapia hormonal.


Alterações permanentes


Com o fim do climatério, alguns sintomas como os calores e o suor excessivo desaparecem, mas outras mudanças do corpo feminino são permanentes, como a atrofia urogenital e alterações na uretra. Quanto mais a pessoa envelhece, mais intenso fica o processo. O ressecamento A secura vaginal não melhora, ela piora ou se mantém. Se a mulher não sentir mais a necessidade da terapia hormonal, pode adotar um creme vaginal hormonal para combater essa falta de lubrificação. Basta aplicar duas vezes por semana. 

Fonte: Gineco

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