Atenção redobrada com enjoos na gravidez

19/JUN

A hiperêmese gravídica tornou-se mais noticiada depois de levar ao hospital, em Londres, em dezembro, a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, com  náuseas que não deixavam nada parar no estômago. A cantora Ivete Sangalo chegou a perder um bebê em 2008 pelo mesmo motivo. A doença é rara, um caso em cada 500 partos, mas, quando diagnosticada, exige internação e acompanhamento de perto. Mais de 55% das mulheres que engravidam têm êmese gravídica, caracterizada pelas crises de vômito no início da gestação, entre a quarta e a sexta semana. Elas ficam mais intensas da oitava até a 12ª semana e cessam no começo do quarto mês. De acordo com a literatura médica, o mal-estar é mais frequente nas ocidentais do que nas orientais e nas africanas, mas a razão dessa maior incidência é desconhecida. 

A ginecologista e obstetra Nilce Consuelo Verçosa, do Hospital da Mulher e Maternidade Santa Fé, em Belo Horizonte, explica que a êmese gravídica se diferencia da hiperêmese gravídica pela intensidade de sintomas. A leve melhora com dieta e uso de remédios antieméticos, próprios para enjoo e vômitos transitórios. A média é marcada pela perda de peso, ainda que pouco importante, já que a paciente consegue se alimentar, e também é tratada com medicamento.  A forma grave ocorre quando o vômito é persistente, obrigando ao jejum e acabando por determinar alterações metabólicas importantes. A mulher não ingere nada e ainda vomita. 

"A paciente fica com face e olhos encovados (olheiras), língua saburrosa (áspera e seca) e pode até chegar a um quadro de hipotensão arterial, que acarreta grave desidratação, diminuição na quantidade de urina, apatia e letargia. Nesse caso, a hospitalização é obrigatória. Há ainda o risco de choque, um quadro apático com alterações metabólicas graves", explica Verçosa. A hiperêmese gravídica está relacionada também com a perda de peso, que pode ser de 6% a 8% do peso inicial da gestante.

Verçosa explica que a prevenção da hiperêmese gravídica é o pré-natal feito desde o início da gestação, o que vai dar à mulher condições de ter um diagnóstico antecipado, impedindo, assim, que um quadro mais grave se desenvolva e o tratamento seja eficaz. "Ela é mais rara do que já foi. A diminuição de casos deve-se ao uso de medicamento eficiente, a uma melhor assistência pré-natal e ao emprego adequado da psicoterapia." 

Segundo a obstetra, a hiperêmese gravídica pode levar à morte tanto a paciente quanto o feto. "No entanto, é raríssimo", reforça. O óbito só acontece se o quadro for muito grave e se a mulher não receber a devida atenção. Como o distúrbio começa com enjoos comuns, é preciso prestar atenção no agravamento do problema. "São comuns (os vômitos), mas não são normais. A mulher precisa procurar paliativos para não agravar", alerta. Verçosa indica alguns fatores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento da hiperêmese gravídica: obesidade, gestação com mais de um feto, hipertireoidismo e filhas de mães que tiveram a doença. Ainda que não esteja comprovado, fatores emocionais também são apontados e discutidos como possíveis causas do problema

Fonte: SOGESP

Deixar comentário