Gripe e resfriado: quais cuidados as grávidas devem ter?

25/MAR

A preocupação faz sentido: ter resfriado e, sobretudo, gripe durante a gestação inspira cuidados. Saiba por que é importante prestar atenção a essas doenças nesse período


Deveria existir uma lei que desse imunidade para as gestantes nunca ficarem doentes. Infelizmente, por mais que você se cuide, pode acontecer de o vírus do resfriado ou da gripe atrapalhar o seu bem-estar. Segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a gripe dá as caras com maior frequência no outono e inverno – e é responsável por elevadas taxas de hospitalização. Um estudo do Instituto de Ciências e Pesquisa Ambiental Wallaceville, na Nova Zelândia, também concluiu que a gripe apresenta elevados riscos de hospitalização em grávidas em todos os trimestres, quando comparadas a mulheres não grávidas.


As gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis, ao lado de idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e imunodeficiência. Isso por causa de todas as mudanças nos sistemas imunológico, circulatório e pulmonar durante a gravidez – que ocorrem porque o organismo tem de se adaptar à nova condição.


É GRIPE OU RESFRIADO?


Ainda existe muita dúvida sobre os sintomas de uma e de outra doença, até porque eles são parecidos. “O resfriado comum pode ser causado por uma série de vírus, como rinovírus, enterovírus, adenovírus, entre outros. Já a gripe é provocada pelo vírus Influenza”, explica o infectologista Wladimir Queiroz, do Hospital Emílio Ribas (SP). Ambos são uma infecção do sistema respiratório, mas têm suas diferenças. “Os sintomas do resfriado costumam ser mais brandos, localizados principalmente no nariz e na garganta (coriza, nariz entupido, dor de garganta). Nem sempre há febre e, quando existe, é baixa, menos de 38 °C. Eles vão aparecendo aos poucos, com piora gradual, até a instalação do quadro completo em 24 a 48 horas”, diz o infectologista. O paciente fica com o estado geral menos comprometido, e o recomendado é apenas o uso de medicamentos para controlar os desconfortos, como congestão nasal, dor e febre, se necessário.


Já na gripe, os sintomas aparecem abruptamente, e febre alta é um sinal característico. “Além dos sintomas de resfriado, frequentemente surgem dores musculares, tremores, calafrios, tosse, letargia [moleza]”, explica Queiroz. “O vírus da gripe gosta muito do tecido pulmonar. É por isso que um dos sinais de alerta é a falta de ar”, afirma a ginecologista e obstetra Ellen Beatriz Freire, especializada em Medicina Fetal, do Fleury Medicina e Saúde (SP). “O Influenza entra pelas vias aéreas e migra até o pulmão. Dentro de quatro dias, caso a defesa não consiga detê-lo, ele se reproduz e causa uma reação bem intensa no corpo”, completa.


A tendência é que o vírus cresça e se multiplique nos pulmões. “Isso justifica nossa preocupação maior com a gripe em gestantes: esse acometimento pulmonar pode colocar a vida em risco, tanto pelo prejuízo no próprio pulmão – que corre o risco de sofrer com a chamada pneumonia primária – quanto pelos efeitos secundários”, explica Ellen Freire. O sistema de defesa fica tão “ocupado” tentando se defender do vírus que abre espaço para a proliferação de bactérias – causando a chamada pneumonia bacteriana secundária. Outro efeito é que, a partir do pulmão, fica mais fácil o vírus da gripe se proliferar e cair na circulação sanguínea, atingindo outros órgãos, como o coração e o cérebro.


CORPO MAIS VULNERÁVEL


Na gestação, acontecem mudanças no sistema de defesa, alterando a linha mais importante contra as doenças virais. Tudo para que ocorra “tolerância” à presença dos antígenos paternos – em outras palavras, para o corpo da mãe não rejeitar o bebê em formação. Como uma das melhores formas de impedir que o vírus que entra pelas vias aéreas não atinja o pulmão é justamente a presença dessa primeira linha de defesa que está alterada, a grávida fica mais suscetível.


“Antes de decidir o melhor tratamento para a gestante, é preciso verificar a temperatura. Caso ela esteja com febre acima de 38 ?C, é importante procurar o serviço de saúde para descartar o H1N1. “Esse vírus pode provocar mais complicações e levar à necessidade de internação”, explica a ginecologista e obstetra Carolina Burgarelli, da Maternidade Pro Matre Paulista (SP). Também vale ir ao médico quando o estado geral estiver compro- metido, durando mais de cinco dias.


- As grávidas são mais suscetíveis ao coronavírus?


Ainda não se sabe como esse vírus se comporta especificamente na gestante.


Agora, se os sintomas forem mais brandos, é possível que seja um resfriado. “Quando a gestante está gripada ou resfriada, analgésicos e antitérmicos, desde que prescritos pelo médico, podem auxiliar no alívio de sintomas. Antialérgicos, sob orientação profissional, também ajudam na diminuição dos espirros e da coriza. A lavagem nasal com soro fisiológico diminui as secreções e reduz os riscos de infecção. E o clássico chá com limão e mel também funciona e está liberado”, diz Carolina Burgarelli.


Além desses tratamentos, a fisioterapia respiratória é mais uma opção para aliviar um incômodo típico do terceiro trimestre: a sensação de falta de ar que algumas gestantes têm por causa do volume abdominal. “Importante é não recorrer a medicamentos, sprays ou fórmulas, tentando aliviar sintomas por conta própria. Um simples spray nasal pode provocar picos de hipertensão, por exemplo”, afirma Carolina Burgarelli.


- As grávidas devem tomar vacina contra gripe?


Muitas grávidas têm dúvida e acham que é perigoso tomar vacina contra gripe. Mas é justamente o contrário: a imunização é necessária e bastante segura.


ALÉM DA IMUNIZAÇÃO


Para se proteger desses males, é importante ter hábitos saudáveis: seguir uma alimentação equilibrada, praticar exercícios, dormir bem e reduzir a carga de estresse – tudo isso pode fortalecer a imunidade e diminuir as chances de adoecer.


Também é importante que as pessoas que convivem com a gestante e que tenham indicação – crianças, idosos, portadores de doenças crônicas – tomem a vacina, assim como a própria grávida.


Outras dicas? Evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e usar álcool quando não for possível recorrer à água e sabão são úteis para evitar a contaminação por vírus. Tudo isso vai ajudar você a passar longe de gripes e resfriados e a curtir sua gravidez com tranquilidade.



 

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Saude/noticia/2020/03/gripe-e-resfriado-quais-cuidados-gravidas-devem-ter.html

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