Infecção urinária na gravidez: tudo o que você precisa saber para evitá-la e tratá-la

17/JAN

A infecção urinária afeta cerca de 10% das mulheres na gestação e, além dos incômodos por si sós, pode provocar consequências mais graves, como parto prematuro e até aborto. É importante diagnosticar o mais rápido possível para iniciar o tratamento adequado o quanto antes


 

Dor ao fazer xixi, sensação de bexiga cheia o tempo todo, ardência, calafrios e, em alguns casos, febre. Esses são sintomas clássicos da infecção urinária ou cistite, que ocorre quando bactérias ou fungos se alojam na bexiga. E o sexo feminino conhece bem esse quadro. Isso porque, segundo os especialistas ouvidos para esta reportagem, 50% das mulheres já tiveram ou terão pelo menos um episódio da doença ao longo da vida.

 

Só nos Estados Unidos a inflamação é responsável por 6 milhões de consultas médicas ao ano, de acordo com o National Hospital Ambulatory Medical Care Survey. Dados da instituição mostram que 10% das grávidas são acometidas pelo problema e estima-se que, no Brasil, a estatística seja similar. Esse grupo de mulheres é mais predisposto a sofrer desse mal em função de uma série de alterações que ocorrem no corpo nesse período, como veremos mais à frente.

 

E, se em qualquer época da vida ela necessita de tratamento adequado, na gravidez isso é ainda mais importante, já que o problema pode provocar parto prematuro e até aborto – causados pela ruptura da bolsa amniótica.

“A infecção produz prostaglandinas, substâncias químicas que, na gestação, fazem com que o útero se contraia, deixando-o irritado. As contrações, claro, são um risco para a gravidez”, explica o ginecologista Olímpio Barbosa de Moraes Filho, presidente da Comissão de Assistência Pré-Natal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), de Recife (PE).

E não é só: a cistite ainda é causa de restrição de crescimento fetal (já que impede a passagem adequada de nutrientes) e do risco maior de o bebê sofrer uma infecção.

 

EXAMES DE CONTROLE

 

Não há dados oficiais sobre quantos partos prematuros são ocasionados pela infecção urinária, mas, por precaução, o exame de urina, que analisa células e bactérias presentes no xixi, e a urocultura, que avalia as bactérias na urina e sua resistência a determinados tipos de antibióticos, devem ser rotina no pré-natal e precisam ser feitos a cada trimestre.

 

Para os casos em que as mulheres já apresentam cistite de repetição, recomendam-se exames mensais. A prevenção é importante porque existe uma versão da doença que é silenciosa. É a bacteriúria assintomática, que ocorre quando a mulher tem as bactérias na bexiga, mas não apresenta sintomas. De acordo com a ginecologista Erica Mantelli (SP), quando esse quadro ocorre fora da gravidez, é considerado normal e nem precisa ser tratado.

“Mas na gestação a história muda. A bacteriúria precisa ser cuidada para não evoluir e causar uma pielonefrite ou infecção generalizada”, alerta a especialista.

A pielonefrite é a infecção urinária alta, que acomete os rins. Estudo publicado pelo National Center for Biotechnology Information, dos Estados Unidos, mostrou que de 30% a 40% das gestantes que têm bacteriúria desenvolvem o problema, algo gravíssimo.

 

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Existem várias causas para o aparecimento da infecção urinária: o corpo feminino, a predisposição genética e os hábitos alimentares inadequados são algumas delas. E, na gravidez, há uma remodelagem dos órgãos internos por conta do aumento do útero que faz com que a bexiga fique sem espaço, daí a vontade de ir ao banheiro a toda hora. Mas, como está apertada, é comum sobrar um pouco de urina armazenada, o que pode causar a inflamação.

 

“Além disso, nessa reorganização a uretra acaba ficando mais curta, deixando um caminho aberto para as bactérias”, explica a pesquisadora Carla Taddei, professora do bacharelado em Obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, a infecção urinária pode aparecer a qualquer momento, mas as chances aumentam a partir do segundo trimestre, por conta de todas essas mudanças.

 

A pesquisadora também ressalta as alterações que ocorrem na microbiota vaginal (onde ficam alojadas bactérias do bem e que protegem a mulher) durante a gestação. Em um estudo realizado por ela e uma equipe da USP, eles conseguiram constatar alterações nessa flora vaginal. E se o organismo está desequilibrado acaba abrindo mais espaço para a infecção urinária.

 

ALÍVIO E CUIDADO

 

O tratamento é feito com antibiótico. “Existe uma classe de medicamentos que é segura na gestação. Recomendamos uso oral e, em alguns casos, intravenoso”, diz Moraes Filho. Depois da gestação, os cuidados das mulheres que sofreram com a infecção devem continuar. Isso porque as chances de ter uma endometrite puerperal (infecção do endométrio) aumentam, assim como voltar a ter as cistites em outras gestações.


 

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Saude/noticia/2019/11/infeccao-urinaria-na-gravidez-tudo-o-que-voce-precisa-saber-para-evita-la-e-trata-la.h

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