Aprenda a contornar os incômodos da gestação

19/MAR

Durante a gravidez, o corpo passa por alterações fisiológicas que se tornam verdadeiros incômodos para a mulher. Nessa hora, alimentação saudável, atividade física moderada e alguns medicamentos são reforços para minimizar ou até mesmo acabar com os transtornos.


A princípio, náusea e vômito são os campeões em queixas. Entre as várias teorias que explicam o fenômeno, uma se refere ao gonadotrofina coriônica, o hormônio da gravidez. “Quanto maior sua concentração no sangue, maior a ocorrência de mal-estar”, explica o obstetra Corintio Mariani Neto, da Associação de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo (Sogesp) e mestre em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 


Refeições saudáveis a cada três horas e em pequenas quantidades ajudam a resolver o problema. Outra dica é evitar condimentos de odor forte, que podem levar ao enjoo. Uma opção natural de efeito antiemético é o chá de gengibre – um dos poucos com eficácia comprovada pela ciência. Vale ressaltar, náusea e vômito são comuns nos três primeiros meses de gestação. “Se persistirem, é preciso utilizar medicação”, conta Mariani Neto.


Azia e queimação surgem por volta do sexto mês de gravidez. A explicação está no crescimento do útero, que empurra o estômago para cima. Isso provoca refluxo do suco gástrico (extremamente ácido) direto para o esôfago, causando sua irritação. Em alguns casos, sugere o médico da Sogesp, beber um copo de leite frio ajuda a combater a queimação.


De acordo com a obstetra Fernanda Cristina Ferreira Mikami, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), “pode ocorrer a queda da pressão arterial na gestação, o que provoca tontura, mal-estar e fraqueza”. Se a falta de força é diária, no entanto, o motivo pode ser anemia, facilmente diagnosticada com um hemograma, exame que avalia as células sanguíneas. Desmaios são incomuns e, se ocorrerem, deve-se procurar atendimento médico.


 Já a hemorroida surge com a inflamação das veias hemorroidárias. Intestino preso e a pressão que o bebê exerce sobre a parte inferior do abdômen são algumas das causas. Alimentos ricos em fibras (verduras e legumes), frutas “laxativas” (mamão, laranja e ameixa) e água ajudam a formar o bolo fecal e facilitam a evacuação.


Não há muito o que fazer quanto à dor nas mamas, que crescem durante a gravidez para a futura lactação. O recomendado é usar um sutiã que não aperte os seios. Se o incômodo for localizado, entretanto, pode indicar um nódulo. “O exame das mamas é obrigatório durante a avaliação médica”, afirma Fernanda.


A falta de ar é o reflexo do trabalho dobrado que o coração exerce na gestação. O órgão tem de bombar mais sangue para o útero, a placenta e o feto, progressivamente maiores. Nessa situação, o cansaço é comum. “A falta de ar merece investigação detalhada quando limita as atividades habituais da gestante”, declara o obstetra da Sogesp.


A lombalgia, relatada por 70% das gestantes, surge com o crescimento do útero e do bebê. Ocorre a acentuação da curvatura da coluna lombar (chamado de lordose), neste caso, fundamental para manter o equilíbrio da grávida. Para minimizar a dor, use um travesseiro no dorso ao sentar-se e evite sapatos de salto alto”, aconselha a obstetra da FMUSP.


As câimbras são frequentemente associadas à falta, ou excesso, de exercícios com as pernas. A deficiência de sais minerais, especialmente o cálcio, também pode levar à contração muscular. Massagens e a prática leve de atividades físicas evitam o estorvo. Aliás, os membros inferiores também são alvo das varizes. A dica é repouso e, eventualmente, meias-calças elásticas de compressão suave ou média conforme o grau do problema.


Quanto ao inchaço, nos pés e tornozelos é considerado normal devido às alterações hormonais da gestação. “Evite permanecer parada em pé ou mesmo sentada com os pés para baixo por longos períodos”, atesta Mariani Neto. Maneire no consumo de sal, que retém líquidos – meia colher de sopa é o suficiente por dia. Inchaço nas mãos e no rosto sugere pré-eclâmpsia, problema marcado pela elevação da pressão arterial.


Urinar com frequência (polaciúria) é outro importuno comum na gravidez. Isso porque o crescimento do útero leva à compressão da bexiga. À noite, o ideal é não ingerir líquidos perto do horário de dormir. Qualquer outra queixa urinária deve ser investigada e tratada.

Fonte: Gineco

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