Tocofobia: entenda o medo da gravidez e do parto

27/DEZ

Para algumas mulheres, o medo é tão grande que acaba se transformando em fobia. Especialistas explicam quando e porque ele surge e como é o tratamento


Algumas pessoas tem pavor de andar de avião; para outras, o problema são os ambientes fechados. Há ainda quem tenha um medo exagerado de aranhas ou de falar em público. São centenas de fobias e, entre elas, está o medo da gravidez e do parto — a chamada tocofobia. "É normal a gestante sentir medo do parto. Ela pode ficar preocupada em como vai ser o parto, se vai doer, se o bebê vai nascer bem... Mas quando esse medo deixa de ser natural e se transforma em um pavor irracional passa a ser fobia", explica a ginecologista e obstetra Karina Tafner, especialista em Endocrinologia Ginecológica e Reprodução Humana.


"Todo tipo de fobia é um transtorno de ansiedade e as causas podem ser várias", afirma a psicóloga Elaine Di Sarno, especialista em Avaliação Psicológica e Neuropsicológica. Segundo ela, a tocofobia pode ser dividida em primária, que pode acontecer em qualquer momento da vida, inclusive na adolescência, sempre antes de engravidar. Geralmente, nesse caso, está ligada a alguma experiência traumática de alguém próximo; ou secundária, quando a mulher já passou por uma gravidez e pode estar relacionada a uma experiência anterior, como parto prematuro, aborto ou violência obstétrica. "Na tocofobia primária, geralmente, se a paciente não conta o que está sentindo, ela não sabe que tem. Sente apenas um receio de engravidar e, muitas vezes, acaba não tendo filhos por causa disso. Por isso, é mais comum chegar a um diagnóstico quando se trata da tocofobia secundária", completa Karina.


COMO IDENTIFICAR A FOBIA?


Afinal, como saber que o medo se transformou em uma fobia? Segundo Elaine, normalmente, a paciente começa a manifestar alguns sintomas, como ansiedade, ataque de pânico, pesadelo, alteração de sono e de apetite, irritabilidade e impaciência. Nesse caso, é fundamental buscar tratamento, principalmente durante a gravidez. "Na gestação, a mãe com fobia não está em uma aceitação total e isso não é positivo para a mulher e nem para a criança. Ela pode se sentir extremamente culpada por estar com medo", alerta Elaine. "Se não tratado, pode levar a um quadro de depressão grave ou psicose puerperal, no qual a criança precisa ser afastada da mãe, ela não pode amamentar e, geralmente, necessita de internação", diz Karina. "Se não tratado, todo transtorno pode evoluir. Ainda mais em um momento em que a mulher está muito vulnerável", completou Elaine.


Segundo as especialistas, o tratamento costuma ser feito com psicoterapia. No entanto, quando o quadro é grave, pode ser necessário fazer uso de medicação. "Nesse caso, se torna mais complicado, pois as gestantes não podem tomar todos os tipos de medicamentos", explica a obstetra. "É necessário avaliar caso a caso. Para algumas gestantes, dependendo da situação, a cesárea é a melhor opção, pois não há dor ou contração, e ela fica mais tranquila", completa. "Mas o apoio da família, principalmente do marido, também é muito importante. E é preciso deixar claro que a mulher não está rejeitando o filho. As pessoas ainda não acreditam completamente nos transtornos psiquiátricos, mas é preciso, sim, estar atento aos que estão à nossa volta. Alterações na personalidade pode ser um sinal de que é preciso buscar ajuda e dar apoio", finaliza.



 

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Saude/noticia/2019/12/tocofobia-entenda-o-medo-da-gravidez-e-do-parto.html

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