Hemorragia pós-parto está entre as principais causas de mortalidade materna. Como prevenir?

27/SET

Entenda quais são os fatores de risco para o quadro e como a equipe médica deve agir para evitá-lo


Depois de se comprometer a reduzir em 50% o número de mortes maternas até 2030, o Brasil tem a missão de aprimorar o diagnóstico, tratamento e prevenção das principais causas deste tipo de óbito -— que, em 92% dos casos, pode ser evitada. Entre elas, está a hemorragia pós-parto, segunda maior razão de mortalidade deste grupo no país, atrás somente da hipertensão.


A hemorragia pós-parto é caracterizada pela perda de mais de 500 ml de sangue nas primeiras 24 horas após o parto ou em até seis semanas e pode ser prevenida e tratada. Saiba quais são os principais fatores de risco e causas da condição e como os médicos devem agir para evitar o problema.


POR QUE ACONTECE?


A principal causa da hemorragia pós-parto é a atonia uterina, estado em que o útero perde seu tônus muscular, ou seja, a capacidade de contração. "Após o parto, as fribras musculares do útero devem se contrair para obstruir os vasos sanguíneos que ficaram abertos após a retirada da placenta", explica a ginecologista Carolina Ambrogini. "Se não há contração, dizemos que o útero se tornou hipotônico, amolecido. E, nesse caso, a obstrução dos vasos fica comprometida, causando uma hemorragia."


Entre outras causas mais comuns estão os traumas provocados por lacerações no canal de parto durante a descida do bebê. "Se o parto for acelerado demais, o risco de traumas é maior", exemplifica Paulo Noronha, ginecologista e obstetra especializado em parto humanizado. Retenção plantária e disturbios de coagulação nas pacientes, como a hemofilia, também podem provocar hemorragias.


FATORES DE RISCO


Gestações que exigem uma maior distensão do útero, como a de múltiplos, de fetos macrossômicos (que nascem com quatro quilos ou mais) e com polidrâmnio (excesso de líquido aminiótico), têm mais chances de apresentarem atonia uterina. "Inflamações no útero, como a corioamniolite, infecção bacteriana das membranas fetais, também podem provocar atonia", afirma Carolina.


Partos muito prolongados, como os induzidos, também podem provocar atonia uterina. Enquanto isso, partos muito rápidos estão mais ligados à lacerações no canal vaginal durante a descida do bebê.


Além da duração, o tipo de parto também influencia as chances de ter uma hemorragia ou não. Em geral, a perda de sangue em cesáreas é duas vezes maior do que em partos normais. "Isso porque, para realizar uma cesariana, é necessário cortar muitas camadas do corpo até chegar ao útero, órgão que recebe muito sangue durante a gestação", explica Noronha. "Caso a mulher já tenha sofrido uma hemorragia pós-parto, a chance de tê-la novamente em uma outra gravidez é de 15 a 20%", completa.

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Parto/noticia/2019/09/hemorragia-pos-parto-esta-entre-principais-causas-de-mortalidade-materna-como-prevenir

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