Ovário policístico: entenda a síndrome e saiba como tratá-la

06/AGO

O problema é caracterizado principalmente pela irregularidade menstrual, alteração frequente de peso, queda de cabelo e excesso de pelos.


O aparecimento de pequenos cistos durante o processo de ovulação faz parte do funcionamento natural dos ovários. Porém, se persistirem e forem vários, podem indicar a existência da síndrome do ovário policístico (SOP).


Alteração hormonal que atinge cerca de 7% das mulheres na idade reprodutiva, de acordo com um estudo do Hospital das Clínicas de São Paulo, a síndrome faz com que ocorra a interrupção da ovulação, a chamada “anovulação crônica”, e o aparecimento de microcistos nos ovários. Sabe-se que há uma associação da síndrome com a resistência à insulina. “Quando o metabolismo da insulina está alterado, ele altera também a função hormonal,o que contribui com o aparecimento da síndrome”, explica a ginecologista Ana Elisa Dias.


O problema é caracterizado principalmente pela irregularidade menstrual. “Há grandes atrasos, algumas mulheres ficam entre 3 a 6 meses sem menstruar”, diz Ana Elisa. Além de instabilidade no ciclo, sintomas como alteração frequente de peso, queda de cabelo, excesso de pelos no rosto, seios e abdômen, oleosidade na pele e aparecimento de acne também podem indicar a existência da síndrome do ovário policístico.


Gravidez


Por alterar o processo de ovulação, a mulher com ovário policístico apresenta dificuldades para engravidar, mas a infertilidade não é permanente se tratada da forma adequada.


O passo inicial para viabilizar a gestação é a introdução do anticoncepcional, que terá a função de regular o ciclo e secar os cistos. Depois, o contraceptivo deve ser substituído por hormônios que estimulem a ovulação. Para as mulheres que desejam apenas ajustar o funcionamento hormonal, o tratamento realizado apenas com anticoncepcionais é eficiente. Em ambos os casos, Ana Elisa chama atenção para necessidade de exercícios físicos e perda de peso, que muitas vezes são suficientes para a reorganização do ciclo.


Uma vez que a mulher tenha engravidado, a síndrome do ovário policístico não interfere no desenvolvimento da gravidez. A gestação transcorre normalmente, sem risco nenhum. Entretanto, engravidar não resolve o problema e, após o nascimento do bebê, é importante que a mulher retome o tratamento. “Em alguns casos, há a possibilidade de o ciclo se normalizar, mas a tendência é que as irregularidades voltem a se manifestar com o tempo.”


Detectar a síndrome não é difícil. Em exames de rotina que avaliam os níveis hormonais, as alterações podem ser percebidas e, com o ultrassom, é possível observar se há uma quantidade de cistos acima dos limites aceitáveis, ou seja, 12 ou mais cistos nos ovários, de acordo com Ana Elisa.


Qual é a diferença entre a síndrome do ovário policístico e cisto no ovário?


O cisto no ovário se distingue da síndrome pelo tamanho e o número de cistos. Ele normalmente aparece sozinho, em apenas um lado, é maior e ocorre por outros motivos, normalmente não relacionado à alteração hormonal. Alguns surgem no período fértil da mulher, chamados de cistos foliculares, e não impactam na saúde, pois desaparecem sozinhos, sem a necessidade de tratamento. Mas atenção: alguns tipos de cistos necessitam de cuidado redobrado, como os hemorrágicos e tumorais. Por isso, manter a rotina de consultas ao ginecologista é fundamental.

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Planejando-a-gravidez/noticia/2015/08/ovario-policistico-entenda-sindrome-e-saiba-como-trata-la.html

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