Tudo sobre o DIU

19/FEV

Um dos contraceptivos com menor índice de falhas, o DIU está longe de ser o favorito das brasileiras. Embora exista uma versão de DIU disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), nem 5% das brasileiras recorrem ao aparato. 


O fato de não ser o líder de preferência não tem nada a ver com a sua eficácia. Segundo um estudo da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, seu índice de falha varia de 0,2 a 0,8%, contra 9% da pílula. O que influi muito aí é o desconhecimento.


O DIU é uma peça em formato de “T” inserida dentro do útero, o que já gera desconfiança entre as mulheres. “Esse órgão é tido como um local sagrado de desenvolvimento de vida”, nota a ginecologista Ana Luiza Antunes Faria, do Hospital Pérola Byington, na capital paulista. Mas o que mais intriga são as repercussões depois de instalado o dispositivo.


“Existem vários mitos em relação a ele”, afirma o ginecologista Agnaldo Lopes, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Grande parte dos receios está relacionada a eventuais efeitos colaterais, como risco de perfuração da parede do útero, infecções e sangramento excessivo.


Ventila-se por aí que o DIU poderia trazer problemas especialmente a mulheres jovens e às que nunca tiveram filhos. Mas a ginecologista Halana Faria, do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde, em Florianópolis, já adianta: “Todos os métodos contraceptivos têm efeitos colaterais. A questão é avaliar quais são toleráveis para cada uma”.


Em todo caso, para tirar a pulga atrás da orelha, especialistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, o CDC, resolveram checar se os DIUs incitam alguma encrenca entre quem é jovem. Para isso, revisaram nada menos do que 3 mil artigos científicos.


Eles concluíram que, em relação às mulheres mais velhas, as moças não apresentam aumento significativo na possibilidade de sofrer as temidas reações adversas. Além disso, o método proporciona uma contracepção reversível altamente eficaz.


Por falar em efetividade, nesse quesito o DIU é considerado até melhor do que a pílula anticoncepcional, já que não depende da disciplina da usuária. As brasileiras são campeãs em esquecer de tomar o comprimido. Segundo levantamento encomendado pela farmacêutica Bayer, 58% delas se descuidam com frequência — a média global é de 39%. No fim das contas, a negligência se traduz em surpresa diante do teste de gravidez.


Não é à toa, aliás, que mais de 50% das gestações por aqui ocorrem sem planejamento. “As consequências são negativas, incluindo risco de morte entre mães e bebês”, afirma a ginecologista Carla Martins, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Sem contar que metade desses casos acaba em aborto. “E ele quase sempre é feito de forma ilegal e insegura, aumentando ainda mais o perigo”, lembra Lopes.


QUEM PODE USAR?

O pré-requisito fundamental para inserir o DIU é ter uma cavidade uterina que comporte o acessório — pessoas com má-formação ou que tenham apresentado alguma disfunção no órgão provavelmente não se adaptarão bem. Quem avalia essa questão, como dá para imaginar, é o ginecologista. Aliás, a peça é implantada no consultório desse especialista — o procedimento não requer internação nem anestesia e dura, em média, 15 minutos. 


Agora, quando uma mulher decide pelo dispositivo anticoncepcional intrauterino, ainda tem que escolher entre a peça de cobre ou a de plástico. A função de ambas é basicamente impedir o encontro dos espermatozoides com os óvulos, mas cada um carrega suas particularidades. Veja:


DIU de cobre


Prós: não tem hormônio, é mais barato e não interrompe totalmente a ovulação. É possível deixá-lo no corpo por até dez anos. 


Contras: pode aumentar bastante o fluxo menstrual e, por consequência, as cólicas. Isso ocorre principalmente por causa da inflamação que o dispositivo é capaz de gerar no útero. 


DIU hormonal


Prós: o fluxo menstrual é reduzido e provoca menos cólicas. Controla sintomas de endometriose e possui menor índice de falhas em relação à gravidez.


Contras: tem que trocar após cinco anos e é mais caro. Pode levar a um aumento de peso, já que mexe com hormônios. E, nos primeiros meses, há risco de desregular o ciclo menstrual. 


Outra vantagem do DIU frente às pílulas: a ausência de estrogênio em sua composição. É que esse hormônio está associado a um maior risco de trombose — isto é, o surgimento de um coágulo na corrente sanguínea capaz de viajar pelo corpo e causar estragos. Sem contar que, no DIU de plástico, o hormônio levonorgestrel é liberado aos pouquinhos e só no local. Isso significa que a quantidade dele na circulação é bem menor. Tanto é que a mulher continua ovulando.


A verdade é que não existe um manual de instruções que possa ser seguido 100% à risca. Vale o chavão: cada caso é um caso. O essencial é conhecer as opções disponíveis e conversar com o ginecologista. “A escolha de um bom método contraceptivo é fundamental para a liberdade sexual da mulher. Mas, ainda assim, tem que usar camisinha”, defende a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, do Rio de Janeiro. Com ou sem o DIU, algumas coisas não mudam.

Fonte: https://saude.abril.com.br/medicina/tudo-sobre-o-diu/

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