O que acontece com o útero durante a gravidez?

19/SET

A gravidez é um processo complexo que causa modificações extremas no corpo e mente da mulher gestante. Toda essa dinâmica é orquestrada por vários hormônios que asseguram que a gravidez ocorra da maneira correta, fazendo com que o organismo feminino adapte-se à presença do feto, desde sua concepção até seu nascimento. No entanto, muitas pessoas não têm conhecimento do quão drásticas e profundas são estas mudanças, nem o quão fantásticas elas podem ser.


O órgão mais afetado pela gravidez é o útero, que abrigará o bebê durante toda a gestação e tem de crescer centenas de vezes seu tamanho e volume normais para dar conta da tarefa. Por isso, neste post de hoje vamos mostrar quais são as principais e mais espetaculares mudanças que o útero sofre durante a gravidez e como elas são extremamente harmoniosas para fazerem parte do incrível processo da criação de um novo ser vivo. 


Descarga hormonal


Os hormônios controlam todos os processos e modificações físicas que ocorrem na gravidez. Os principais hormônios responsáveis pela gestação são o estrogênio e a progesterona, que estimulam o organismo da mulher a manter, abrigar e nutrir o feto recém-criado.


São estes mesmos hormônios que fazem com que o embrião se implante no útero e desencadeie todas as outras alterações corporais da gravidez: o crescimento das mamas, o surgimento de finos pelos na região abdominal e na face, o melhoramento da capacidade cardiovascular da mulher para suportar a gestação e, claro, o crescimento do útero — que passa a ser ricamente irrigado pela circulação sanguínea, desenvolvendo e aumentando o tecido muscular.


Qualquer desequilíbrio nos níveis hormonais pode trazer problemas para a gravidez, o que mostra porque esses complexos compostos químicos são tão importantes para o sucesso da concepção e da gestação.


O útero na gravidez: as primeiras 8 semanas


Antes da concepção, o útero é um órgão muito pequeno, com cerca de 5 mL de volume e um palmo de longitude, tendo um formato triangular discreto. O encontro do espermatozoide com o óvulo (a fecundação) ocorre geralmente nas trompas de Falópio, a meio caminho entre o útero e os ovários. Depois de fecundado, o recém-formado embrião se implantará na parede uterina, dando início de fato à gravidez — sinalizando para o organismo inteiro que uma nova vida está se desenvolvendo dentro do órgão.


O útero começa imediatamente a crescer e a reorganizar-se, sendo que ao final das primeiras oito semanas de gestação, ele já possui normalmente o tamanho de uma laranja, mesmo ainda sendo imperceptível externamente no corpo da mulher. Nesta fase inicial, a alteração uterina mais importante é o aumento da quantidade de vasos sanguíneos dentro do órgão, preparando-o para nutrir o feto em crescimento. A placenta é responsável pela troca de sangue entre o embrião e a mãe, garantindo que o primeiro receba todos os nutrientes necessários para seu crescimento.


De 8 a 30 semanas


Nas semanas seguintes da gravidez, o útero aumenta progressivamente seu volume e tamanho, assumindo um formato esférico protuberante. É neste período que o órgão começa a tornar-se visível na região abdominal da mulher, sendo palpável na altura do umbigo até a região púbica baixa, o que ocorre normalmente a partir da vigésima semana de gestação.


Durante a gravidez, o colo do útero (abertura que comunica-se com a vagina) permanece fechado por uma membrana mucosa, evitando que o feto seja contaminado por bactérias e outros agentes infecciosos. A parte de cima do órgão é reforçada por um potente tecido muscular, que realizará as fortes contrações futuramente necessárias para expulsar o feto no parto. Todo este desenvolvimento acompanha o crescimento espetacular do feto e dos órgãos que o envolvem: a placenta e a bolsa com o líquido amniótico.


As últimas semanas


Nas últimas semanas da gestação, o útero normalmente alcança o ápice de seu desenvolvimento, com uma capacidade de mais de 4 litros e meio de volume e pesando aproximadamente 1 kg (excluindo da conta aqui o feto e a placenta). Nesta fase, ele ocupa quase que totalmente a região abdominal da mulher, podendo ser apalpado na altura das últimas costelas até o baixo-ventre, evidenciando a silhueta clássica da gravidez. Nesta fase, o bebê tem intensos movimentos que são sentidos através da parede uterina.


O agora volumoso e pesado útero afeta todos os órgãos à sua volta: a bexiga é pressionada e tem seu volume reduzido, o que aumenta a frequência e a vontade de urinar; as alças intestinais também são pressionadas, o que pode levar a um certo grau de constipação, que é comum na fase final da gravidez.


Além disso, o útero pode pressionar veias de alto calibre que passam pela região abdominal, piorando o retorno venoso e provocando o aparecimento de varizes e inchaço nas pernas da gestante, que também comumente apresenta intensas dores lombares, causadas pelo grande peso do órgão e do bebê.


O parto


Nas semanas que antecedem o parto, o útero desloca-se para a região pélvica (o chamado rebaixamento uterino), de modo que o feto se encaixe perfeitamente na bacia, facilitando assim a sua passagem pelo canal vaginal.


Próximo ao momento do nascimento, o colo do útero começa a dilatar-se e o órgão inicia uma série de contrações vigorosas (que são estimuladas pelo hormônio ocitocina) para dar início ao trabalho de parto. Essas contrações são responsáveis pela expulsão do bebê, finalizando o período gestacional de fato.


Depois do parto


Após a expulsão do bebê e a finalização do parto, o útero começa imediatamente a passar pelo processo de regressão de seu tamanho e volume. Nos dias seguintes ao nascimento, ele passará por contrações e espasmos musculares (chamados de retortas) que têm a finalidade de fechar os vasos sanguíneos que irrigavam o órgão e a placenta durante a gestação.


Assim, depois de cerca de um mês, o útero retorna ao seu tamanho original, permitindo com que a mulher recupere a silhueta que tinha antes da gravidez. Essa é uma regressão extremamente rápida e normalmente sem sequelas, o que mostra a grande adaptabilidade do organismo para lidar com a dinâmica corporal antes, durante e depois da gravidez.

Fonte: /www.cordvida.com.br

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