Afinal, o que é cordão umbilical?

23/AGO

O cordão umbilical é a estrutura que une o bebê à mãe e permite a passagem de sangue, oxigênio, nutrientes e excretas. Mas afinal, do que ele é feito? O que acontece quando se enrola no pescoço do bebê? Quais tipos de alterações podem ocorrer? Vamos responder a essas e outras perguntas para que você entenda de vez o que é cordão umbilical. Confira:


O que é cordão umbilical?


O cordão umbilical é um tubo que conecta o bebê à placenta, sendo responsável pela troca de nutrientes, oxigênio e excretas. Composto de duas artérias e uma veia envoltas em um material gelatinoso — a geleia de Wharton — o cordão umbilical comunica o sistema circulatório do bebê, através do umbigo, aos vasos da placenta, estando inserido, normalmente, bem no centro dessa estrutura. A placenta, por sua vez, se comunica aos vasos maternos, fazendo as trocas necessárias.


Qual o tamanho dele?


Ao final da gravidez, o cordão umbilical mede cerca de 50 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro.


Como o cordão é formado?


Nas primeiras semanas de gestação, quando o zigoto se fixa à parede uterina, ele começa a desenvolver vasos sanguíneos denominados de vilosidades coriônicas. Essas vilosidades penetram na parede uterina, dando origem à placenta, e combinam-se com outras estruturas embrionárias — o alantoide, o saco amniótico e o saco vitelino. As vilosidades também dão origem ao cordão umbilical, fazendo a comunicação com o embrião que se desenvolve. Todo esse processo estará completo por volta da quinta semana de gestação.


Como o bebê se nutre antes da formação do cordão umbilical?


A placenta é órgão responsável pela nutrição do bebê dentro do útero, mas antes que ela e o cordão umbilical estejam prontos, o bebê utiliza os nutrientes presentes no saco vitelino para se desenvolver.


Como o cordão umbilical funciona?


A veia umbilical carrega o sangue oxigenado e os nutrientes da placenta para o bebê. Já as artérias umbilicais fazem o percurso contrário, trazendo as excretas e o sangue desoxigenado do bebê para o sangue materno. A geleia de Wharton ajuda a manter os vasos abertos e o fluxo de sangue constante.


Trombose dos vasos umbilicais


Uma das alterações mais comuns é a formação de um trombo e a obstrução dos vasos umbilicais. Se o fluxo é interrompido por muito tempo o bebê pode ficar sem oxigênio e nutrientes, aumentando a probabilidade de morrer asfixiado.


Ruptura dos vasos umbilicais


Quando um dos vasos umbilicais se rompe, ocorre uma hemorragia dentro do útero, impedindo a chegada do sangue ao bebê.


Nó de cordão umbilical


O bebê pode provocar a formação de um nó no cordão umbilical ao se movimentar pelo líquido amniótico. Na maioria dos casos, isso não gera nenhum problema, mas existe o potencial de compressão dos vasos e prejuízo ao fluxo de sangue ao bebê.


Alterações estruturais


Se o cordão for muito longo, muito curto, não tiver geleia de Wharton na quantidade certa ou não for espiralado o suficiente, a chance de os vasos comprimirem vasos é maior.


Cordão nucal


O famoso cordão umbilical enrolado no pescoço traz os mesmos riscos que qualquer outra compressão do cordão. Como o bebê ainda não respira e recebe o oxigênio pelos vasos umbilicais, será a compressão desses vasos que prejudicará sua oxigenação, podendo colocar sua vida em risco. O perigo não é a compressão do pescoço em si. E sim, a compressão do cordão umbilical pelo próprio pescoço de bebê. Geralmente, durante o parto normal deve-se ficar mais atento quando o cordão está nesta posição para o risco de compressão durante a descida do bebê no canal de parto. Ainda assim, este fato isolado não consiste numa indicação de cesariana.


Artéria umbilical única


A artéria umbilical única só costuma ser descoberta após o nascimento, atingindo cerca de 4% das gestações, embora seja possível visualizá-la no exame de ultrassonografia. Em 20 a 30% dos casos dos bebês com artéria umbilical única existe a constatação de outras anomalias, como cardiopatias congênitas, alterações urinárias ou síndromes cromossômicas, como a síndrome de Down.


Vasa prévia


Devido a um mau posicionamento do cordão umbilical em relação à placenta, durante o trabalho de parto vaginal, os vasos umbilicais podem passar pelo colo do útero e serem comprimidos ou se romperem, reduzindo a oferta de sangue para o bebê.


Quais as consequências dessas alterações?


Quando ocorrem durante a gravidez, os sinais são muito sutis e, infelizmente, acabam passando despercebidos, já que não é possível avaliar a saúde do cordão umbilical por exames convencionais. A única alteração costuma ser a ausência de movimentos fetais, fator que leva a mulher a procurar um serviço de saúde.


Caso alguma dessas alterações ocorra durante o parto, com a assistência médica especializada, são enormes as chances de o bebê não ter qualquer sequela e tudo correr bem.


O que acontece no nascimento quando o cordão umbilical é cortado?


Assim que o cordão umbilical é cortado, a falta de oxigênio altera as pressões dentro dos vasos do bebê, possibilitando a abertura das artérias que trazem o sangue dos pulmões e permitindo que o líquido dentro desses órgãos seja absorvido. Isso faz com que se crie uma via aérea entre a boca e os pulmões e o bebê comece a respirar, passando de uma pele roxinha a um tom mais rosado.


Qual a relação do cordão umbilical com as células-tronco?


O Cordão umbilical é muito rico em células-tronco em sua fase mais primitiva, quando há maior potencial de formação de outros tipos celulares e, consequentemente, um amplo leque de aplicações em tratamentos e terapias.


As células-tronco encontradas no cordão umbilical podem ser extraídas do sangue (células hematopoéticas) e do tecido do cordão umbilical (células mesenquimais). Apesar de diferentes, ambas ainda não sofreram qualquer exposição a vírus, bactérias e ao meio ambiente. Isso favorece maior eficiência terapêutica e um menor risco de complicações infecciosas, no caso de utilização dessas células.


Para que servem essas células-tronco?


Atualmente, existem mais de 80 doenças que já foram tratadas com o auxílio das células-tronco do sangue do cordão e várias outras se encontram em estudo. Dentre as doenças mais conhecidas desta lista estão os linfomas, as leucemias, as falências medulares, as metabólicas e as imunológicas.


Encontra-se também na fase de ensaios clínicos a utilização de células-tronco do sangue do cordão umbilical para tratamento de lesões da medula espinhal, paralisia cerebral, doença vascular periférica e perda adquirida de audição.


Já as células-tronco do tecido do cordão são estudadas por grandes centros de pesquisa de vários países para o uso terapêutico em doenças como: diabetes, cirrose hepática, infarto agudo do miocárdio, miocardiopatia dilatada idiopática, queimadura, doença de Alzheimer, autismo e lesões esportivas, entre outras.


Como é feita a coleta das células-tronco do cordão umbilical?


A coleta de células-tronco do cordão umbilical ocorre após o parto, seja ele normal ou cesariana. Normalmente, o procedimento leva menos de cinco minutos e é indolor e seguro, tanto para a mãe quanto para o bebê. Logo após o cordão umbilical ser cortado e clampeado, a equipe especializada irá proceder com a coleta do sangue e do tecido do cordão umbilical.


O sangue extraído do cordão é coletado e colocado em uma bolsa estéril própria para o armazenamento de sangue, com anticoagulante. Já para o tecido, basta recolher o maior segmento do cordão umbilical e colocá-lo em um frasco estéril. A bolsa com o sangue e o frasco com o tecido seguem juntos para o laboratório, onde este material será processado e armazenado em até 48 horas.

Fonte: cordvida.com.br

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