Terapia de Reposição Hormonal

25/ABR

INTRODUÇÃO

A menopausa é uma fase da vida em que as gônadas femininas cessam a produção de estrogênio e ocorre, então,o último sangramento cíclico. Esta deficiência natural do organismo é considerada um evento fisiológico, não patológico,

sendo que este evento é geneticamente programado (GIACOMINI e MELLA, 2006; GREENDALE et al., 1999).

O período em que a menstruação já se apresenta irregular é identificado como perimenopausa e no momento em queas menstruações cessam, podemos designar o início da menopausa. O declínio da produção de estrogênio pelos ová-

rios é um processo lento e gradativo, que se estende por alguns anos depois que as menstruações desaparecem. Este processo gradual de redução hormonal também é chamado de climatério e dura aproximadamente 12 meses (MOYA e CALLEJA, 2005; PEDRO et al., 2003).

O fator mais importante para determinar quando irá ocorrer a menopausa é o número de folículos ovarianos. Ainda dentro do útero materno (em torno do quinto mês de gestação), a produção de folículos para, tendo então uma soma aproximada de cinco a sete milhões de folículos. O número destes folículos começa a decair ao longo da vida da mulher, independente de qualquer ciclo hormonal ou do estado fisiológico da mulher até o período da perimenopausa. Nesta etapa a perda folicular é acelerada e esta fase irá determinar a idade de ocorrência da menopausa (GIACOMINI e MELLA, 2006; GREENDALE et al., 1999).

A idade média para ocorrência do climatério é de 51 anos,mas em alguns casos, ele pode acontecer precocemente decorrente de vários outros fatores como histerectomia, falência ovariana, hiperprolactinemia, hipotireoidismo, tumores hipotalâmicos, doenças auto-imunes, entre outras (ALDRIGHI et al., 2005; GIACOMINI e MELLA, 2006).

O diagnóstico básico da menopausa é a união da clínica da paciente. Amenorréia presente por aproximadamente um ano juntamente com sinais de hipoestrogenemia e níveis séricos elevados de hormônio folículo-estimulante (FSH acima de 40 UI/ml) sugerem com clareza que a mulher encontra-se no climatério (CLAPAUCH et al., 2005; LUBIÁN et al., 2006). 

O hipoestrogenismo altera consideravelmente o organismo, deixando as mulheres vulneráveis aos distúrbios causados pela deficiência de estrógenos. Esta diminuição dos níveis hormonais pode gerar alterações ginecológicas e extra-ginecológicas. Dentre as alterações ginecológicas podemos citar as disfunções menstruais e urogenitais e alterações na genitália interna e externa, como a diminuição de lubrificação e fluxo sanguíneo (ALDRIGHI et al., 2005;CASAS e SISELES, 2005; GIACOMINI e MELLA, 2006).RBAC, vol. 41(3): 229-233, 2009 229

 

 

RESUMO - A menopausa é uma fase da vida em que as gônadas femininas cessam a produção de estrogênio e ocorre então o último sangramento cíclico. A idade média para ocorrência do climatério é de 51 anos mas, em alguns casos, ele pode acontecer precocemente decorrente de vários outros fatores.

O hipoestrogenismo que ocorre nesta etapa altera consideravelmente o organismo, deixando as mulheres vulneráveis aos distúrbios causados pela deficiência de estrógenos. Esta diminuição dos níveis hormonais pode gerar alterações ginecológicas e extra-ginecológicas.

Uma das maneiras mais comuns utilizadas atualmente para controle desta oscilação hormonal é o uso da terapia de reposição hormonal (TRH), à qual já foram agregados diversos riscos e benefícios para a sua utilização.

Quando a opção para redução da sintomatologia do climatério é o uso de suplementação de TRH, deve-se levar em conta que todasas mulheres têm históricos médicos diferentes e que a resposta ao tratamento é individual, o que resulta na necessidade de diferentes doses de TRH. Assim, devemos chamar atenção para o fato de que a reposição hormonal, quando realizada, deve sempre ser individualizada, não sendo possível a padronização de qualquer tratamento utilizado.

Portanto, a decisão de opção pelo tratamento de reposição hormonal, dependerá da aceitação da paciente, sendo que ela deve ser esclarecida sobre as conseqüências da depleção estrogênica no climatério, seus riscos e benefícios, efeitos colaterais e contra-indicações da mesma.

*Instituto de Ciências da Saúde, Centro Universitário Feevale, Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, Brasil. 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A TRH é um assunto polêmico e questionável; diversos estudos vêem sendo feitos com a finalidade de esclarecer quais são os seus reais benefícios e riscos.  Para WANNMACHER et. al., 2006, essa terapia constitui uma das mais complexas decisões médicas na saúde damulher, pelo fato de que nas últimas décadas muitas informações desencontradas vêem sendo veiculadas. 

Alguns estudos apontam que a TRH tem um efeito benéfico contra a perda óssea (ROZENFELD, 2007) sobre o metabolismo lipídico, ósseo, sistema vascular e sistemas de coagulação (OLIVEIRA e FILHO , 2005) durante a sua administração.

Mas esta capacidade de proteção no organismo pode variar muito entre as mulheres em tratamento, pois diversos fatores devem ser levados em conta, principalmente a questão genética onde envolve genes que podem estar relacionados à maneira com que o estrogênio atua no organismo e a vulnerabilidade da mulher vir a desenvolver alguma doença como o câncer de endométrio e de mama.

Um estudo feito pela WHI (Women's Health Iniciative), em 2004, com 11.000 mulheres que faziam o uso de estrógeno isolado, ficou evidenciado que a TRH não previne a doença cardíaca e aumenta o risco de derrame cerebral. Enquanto

outro grupo com 8.506 mulheres que utilizavam estrógenosconjugado os resultados foram ainda mais impressionantes e preocupantes devido à ocorrência de diversos eventoscoronarianos, derrames, trombo-embólicos e câncer de mama invasivos em relação ao grupo placebo, que se apresentou aparentemente saudável. Frente a esta realidade, ainda pouco elucidada, SACKETT, 2002, aponta o perigo de novas doenças, dada à freqüência com que o tratamento

está sendo prescrito à centenas de mulheres saudáveis que podem seriamente estar sendo prejudicadas.

Ainda, o estudo da WHI estima que o uso de estrógenos e progestágenos associados duplicam o risco de demência, principalmente a Doença de Alzheimer (ROZENFELD, 2007).

232 RBAC, vol. 41(3): 229-233, 2009 Estes resultados contradizem-se com o estudo de OLIVEIRA e FILHO, 2005, que afirma que a TRH após a menopausa tem um efeito benéfico e que seus benefícios superam os seus riscos.Por isso, é importante salientar a importância dos estudosna área, para avaliar-se os impactos e se realmente este tipo de terapia pode produzir efeitos benéficos.A decisão de opção pelo tratamento de reposição hormonaldependerá da aceitação da paciente, sendo que ela deve seresclarecida sobre as conseqüências da depleção estrogênica no climatério, seus riscos e benefícios, efeitos colaterais e

contra-indicações da mesma. A partir da sua aceitação, o clínico deverá planejar uma TRH direcionada, selecionando a

melhor forma de tratamento, considerando o tempo que se julgue necessário a utilização hormonal na menor dose eficaz e a via de administração (GIACOMINI e MELLA, 2006).

A reposição hormonal, quando realizada, deve sempre ser individualizada, não sendo possível a padronização de um tipo de tratamento para todas as mulheres (ALVES e VISMARI, 2001).Para as pacientes que não podem ser submetidas à TRH, existem tratamentos alternativos como: moduladores seletivos de receptores de estrogênio, fitoestrógenos e tibolona, sobre os quais a literatura ainda prescinde de estudos capazes de esclarecer dúvidas restantes acerca da eficácia no tratamento e prevenção dos sintomas relacionados à menopausa (ALVES e VISMARI, 2001).

Portanto, ainda não é possível afirmar se a TRH realmente é benéfica, assunto que exige uma maior compreensão sobre os mecanismos envolvidos na interação destes hormônios sintéticos, e que é sensato aguardar os resultados de

novos estudos.

. Rev. Assoc. Méd. Bras. v. 51, n. 3, 2005.

RBAC, vol. 41(3): 229-233, 2009

Fonte: RBAC, vol. 41(3): 229-233, 2009

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