Multifunção dos anticoncepcionais é debatida em congresso europeu

22/SET

COPENHAGUE - As discussões mais calorosas do 9º Congresso da Sociedade Europeia de Ginecologia (ESG 2011), realizado na capital da Dinamarca durante a última semana, voltaram-se para o uso das pílulas anticoncepcionais com finalidades que não se limitam à contracepção.   Para introduzir o tema aos participantes, o ginecologista Francesco Primeiro, da Sapienza University of Rome (Itália), informou que mundialmente mais de 90 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos usam um contraceptivo oral.  

"Foram muitos os avanços nos últimos 50 anos. Hoje, a dosagem das pílulas está bem reduzida. Entre as maiores vantagens, está a introdução do estrogênio natural", disse Primeiro, ao se referir à Qlaira - anticoncepcional recém-lançado no Brasil.   Formulado com componente idêntico ao estrogênio produzido pelo organismo da mulher, o produto colabora para a redução do fluxo menstrual, oferece menor incidência de cólica menstrual, diminuição da ocorrência de cistos ovarianos e de endometriose.  

"Benefícios como esse aumentaram a motivação das mulheres para usar pílulas anticoncepcionais com mais segurança, desde que prescritas de forma responsável", informou o médico, que se referiu a estudos para comprovar que o desejo de boa parte do universo feminino, ao fazer uso de contraceptivos, é se livrar dos sintomas causados pela flutuação hormonal, que culmina na famigerada tensão pré-menstrual (TPM).  

"Uma pesquisa conduzida em cinco países da Europa mostrou que 32% das mulheres paravam o uso das pílulas por causa dos efeitos colaterais", destacou Primeiro. Ele acrescentou que muitos dos sintomas provocados pela TPM podem ser combatidos pelo uso de anticoncepcionais orais de baixíssima dosagem, composto por cartelas com 24 comprimidos e intervalo de quatro dias.  

"Inclusive, pode-se tomar os comprimidos sem essa pausa, o que não oferece riscos para a saúde e para a fertilidade feminina", complementou o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), que acompanhou os destaques do congresso.  

Para que a paciente conte com todos os benefícios dos anticoncepcionais orais de baixa dosagem, os médicos não cansam de bater na tecla de que a utilização só deve ser feita depois de uma consulta criteriosa. Ou seja, ninguém deve tomar pílulas por conta própria.

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